Você já parou para contar quantas vezes por dia você perde a paciência?

Eu chuto que facilmente mais de cinco!

Talvez no trânsito, quando alguém entra na sua frente. No trabalho, quando alguém não faz as coisas como você tinha pedido. Com seus filhos, seus pais ou seu cônjuge. Quando alguém demora para responder uma mensagem. Quando o computador trava ou quando o celular demora para carregar uma página.

Às vezes, basta muito pouco para perder a paciência.

É a fila do supermercado que não anda, aquela pessoa que fala demais ou uma situação que não acontece da maneira como você imaginava.

E pronto.

A paciência sumiu e logo surge o ódio, a raiva e a ansiedade.

Mas será que perder a paciência é realmente uma reação natural e inevitável diante dessas situações? Ou será que existe alguma coisa acontecendo dentro da nossa mente que ainda não percebemos?

Vamos olhar para essa questão de alguns ângulos diferentes. Primeiro, para entender o preço que pagamos quando não somos pacientes. E depois, para perceber o que podemos ganhar quando desenvolvemos essa capacidade.

Porque talvez a paciência esteja muito mais relacionada a sabedoria do que a fraqueza.

Por que perdemos a paciência?

Pense em uma situação simples.

Você está preso em um congestionamento, tem um compromisso importante ou está atrasado e os carros simplesmente não andam.

Nesse momento, o que acontece dentro da sua cabeça?

Muito provavelmente você experimenta um mix de emoções que vai da ansiedade à raiva, passando pela impaciência e pela intolerância, como se sentir-se assim ajudasse a resolver o problema.

No entanto, o trânsito não mudou porque você ficou com raiva. Os carros não começaram a andar mais rápido e seu compromisso não ficou mais próximo.

Ainda assim, as coisas já não são as mesmas dentro de ti.

Seu estado emocional está abalado e você começou a sofrer.

Veja que interessante…

Mesmo que você tenha perdido a paciência, a situação externa continuou exatamente a mesma. A única coisa que mudou foi a maneira como sua mente passou a se relacionar com ela.

Isso acontece porque, quando perdemos a paciência diante de uma situação, partimos de uma premissa que para nós é muito simples: as coisas deveriam acontecer do jeito que gostaríamos que acontecessem, afinal de contas…

“Eu deveria chegar no horário marcado.”

“Essa pessoa deveria ter feito aquilo!”

“Meu filho deveria ter me obedecido!”

“Meu marido – ou minha esposa – deveria ter entendido.”

“O trânsito deveria fluir.”

“E o computador deveria funcionar!”

E quando a realidade não corresponde às nossas expectativas, surge a frustração.

É como se, por alguns instantes, acreditássemos que o universo deveria girar em torno do nosso umbigo e nossos desejos devessem ser cumpridos.

Só que nossa própria experiência já mostrou que as coisas não são assim.

Não conseguimos ter tudo o que queremos.

Nem sempre as pessoas fazem o que esperamos ou as situações acontecem da maneira que planejamos.

E sentir raiva diante das adversidades não mudará a realidade.

Pelo contrário. Vai apenas acrescentar sofrimento ao problema que já existe.

Quando o problema parece ser a outra pessoa

Imagine que a nossa impaciência não esteja relacionada a uma situação, mas a uma pessoa.

Alguém falou alguma coisa que você não gostou, foi grosseiro contigo ou fez algo que te prejudicou.

O que normalmente pensamos nesses momentos? O mais comum é:

“Essa pessoa me fez perder a paciência.”

Mas será que é exatamente isso que está acontecendo?

Porque, se observarmos com cuidado, veremos que qualquer insatisfação que sentimos em relação a outra pessoa acontece dentro da nossa própria mente.

A pessoa pode ter dito alguma coisa desagradável. Isso é um fato.

Mas a raiva que surge depois não está na boca dela nem no que ela falou.

Está unicamente na nossa mente – você pode ler como esse mecanismo funciona neste artigo.

E aqui começa uma mudança importante de perspectiva.

Enquanto não entendermos como nossa mente funciona, continuaremos a acreditar que nossos inimigos são as pessoas ou situações que nos prejudicam.

Mas nossos verdadeiros inimigos são os estados mentais negativos que surgem dentro de nós, sejam eles a raiva, o ódio, o apego, a aversão ou a impaciência.

São eles que, no final das contas, produzem nosso sofrimento.

Dizer que nosso estado mental é responsável pelos sentimentos negativos é, num primeiro momento, algo meio estranho, afinal de contas, nunca fomos ensinados a pensar desta maneira.

Ao contrário… o senso comum diz que, se algo me incomoda é porque foi gerado por uma pessoa ou uma situação, ou seja, coisas que não tem a ver comigo.

Essa dificuldade em entender que o problema “está dentro” de nós e não “fora” é porque acreditamos que não temos nenhuma relação com o que acontece fora da gente.

Mas, de maneira simples, tudo o que percebemos tem a ver com a lente que usamos para ver a situação.

Por exemplo, uma criança que se joga no chão do supermercado e grita loucamente fazendo birra pode ser vista como irritante e pode gerar sentimento de raiva em quem observa os pais, que aparentemente não fazem nada para resolver a situação.

Por outro lado, quais sentimentos você teria por essa criança se ela fosse sua filha?

A chuva no dia que você decide ir à praia pode gerar raiva e frustração mas também pode gerar alegria naquela pessoa que mora na cidade de praia e precisa da chuva para regar sua horta.

O trânsito que trava é sinal de desespero para alguns mas é a alegria dos vendedores ambulantes que garantem o sustento da família vendendo água e guloseimas.

São exemplos bem simples, mas mostram que as situações são apenas situações e quem dá significado a elas é a nossa mente.

Nesse sentido, se consideramos uma pessoa como nossa inimiga, vamos, naturalmente, querer revidar de alguma maneira algo que ela tenha feito, seja gritando, insultando, humilhando, retaliando ou simplesmente guardando ressentimento.

Mas o que acontece quando agimos assim?

Em primeiro lugar, estamos acumulando mais pensamentos e sentimentos negativos que só nós vamos experimentar.

E, em segundo lugar, só vamos piorar a situação.

Por isso, é mais inteligente não direcionarmos nossa energia para destruir a pessoa que acreditamos ser o problema, mas para lidar com aquilo que está acontecendo dentro de nós já que o verdadeiro adversário nunca está do lado de fora.

A paciência é a água e a raiva é o fogo

A paciência é o antídoto para a raiva e para o ódio e o melhor momento para praticá-la é quando percebemos a raiva surgindo.

Pense em um incêndio florestal.

É fácil apagar uma pequena chama no meio do mato, mas se ela se alastra, levada pelo vento, a situação será completamente diferente.

Com a raiva acontece algo parecido.

No começo, talvez seja apenas uma pequena irritação.

“Que pessoa inconveniente.”

“Que trânsito absurdo.”

“Não acredito que ele fez isso de novo!”

Mas, se alimentarmos esses pensamentos, em pouco tempo aquela pequena irritação pode se transformar em uma história inteira dentro da nossa cabeça.

E quando percebemos, já estamos completamente tomados pela raiva.

Por isso, paciência não significa esperar passivamente até a raiva passar.

Paciência é perceber a raiva antes que ela assuma o controle.

A paciência mantém nossa paz interior

Dizer que a paciência mantém nossa paz interior é como chover no molhado, mas mesmo que saibamos disso intelectualmente, temos muita dificuldade em transformar a teoria em prática.

Quando estamos com raiva, perdemos a tranquilidade, a alegria e o prazer.

Às vezes perdemos até o sono.

Pense em quantas vezes você ficou com raiva por situações que aconteceram horas, dias ou até mesmo anos atrás. A situação terminou, mas você continuou a ruminá-la dentro de ti.

Talvez você tenha ido dormir pensando em uma discussão que aconteceu durante o dia.

A pessoa falou alguma coisa… você respondeu e a conversa terminou.

Mas horas depois, você ainda estava lá, mentalmente, respondendo aquilo que gostaria de ter dito, apenas para acumular raiva e ressentimento.

Ao cultivar paciência criamos um espaço na nossa mente que permite entender as pessoas e as situações.

Por exemplo, quando nos damos conta que a outra pessoa passa pelos mesmos desafios que nós passamos – de lutar contra nossos estados emocionais negativos – podemos substituir nossos pensamentos de raiva por outros de compreensão e compaixão.

A paciência mantém os relacionamentos

Quando você é uma pessoa impaciente e que explode com facilidade, você afasta aqueles que estão ao seu redor e até mesmo as pessoas que gostam da gente começam a temer nossas reações.

Passam a medir as palavras.

Pensam duas vezes antes de falar alguma coisa.

Tentam evitar determinados assuntos.

E, pouco a pouco, a pessoa que está sempre irritada começa a construir ao seu redor um ambiente de tensão.

A impaciência, a raiva e a agressividade não prejudicam apenas quem as sente.

Elas deterioram os relacionamentos.

Este é um ponto importante para refletir, porque muitas vezes acreditamos que estamos demonstrando força quando respondemos agressivamente.

É o famoso “eu não levo desaforo pra casa”.

Mas será que estamos sendo fortes?

Ou estamos, simplesmente, sendo controlados por nossos próprios estados emocionais?

Por mais desconfortável que possa parecer, a melhor maneira de cultivar paciência nos relacionamentos é adotando uma postura de diálogo e compreensão.

Isso é particularmente difícil quando as relações já estão desgastadas ou em ambientes de assédio moral.

Ainda assim, uma conversa aberta, na qual mostramos nossas vulnerabilidades, pode servir de ponte para criar empatia com os outros.

A sabedoria está em tomar a iniciativa e dar o primeiro passo, sem esperar que este parta da outra pessoa.

A forma de tomar esta atitude é se tornando consciente de como sua mente opera dando um significado deturpado às interpretações que ela faz das coisas, das pessoas e das situações – mais sobre este assunto aqui.

A paciência ajuda a encontrar soluções

Existe uma pergunta extremamente simples que pode nos ajudar em muitas situações.

“Se existe uma solução para o problema, por que ficar frustrado em vez de agir?

“E se não existe solução, qual é a utilidade em se frustrar?

Pense novamente no trânsito.

Se existe alguma rota alternativa, procure-a e mude de caminho. O Waze está aí para isso.

Mas se não existe absolutamente nada que possa ser feito naquele momento, o que a raiva produzirá?

Os carros continuarão parados e você continuará sofrendo.

Perceba que isso não significa que devamos gostar de situações desagradáveis.

Significa apenas reconhecer uma coisa muito simples:

Cultivar estados mentais negativos faz com que direcionemos nossa atenção exclusivamente para a satisfação dos desejos desse “eu” egoísta que todos nós temos dentro de nós.

Por outro lado, quando aceitamos algo que não podemos mudar, aprendemos a lidar com as adversidades, reconhecemos que não podemos ter tudo que desejamos e nos tornamos mais atentos à forma como nossa mente opera.

Por consequência, acalmamos os pensamentos e continuamos em estado de paz interior, mesmo quando pareça que “o mundo lá fora” está pegando fogo.

A paciência aumenta a nossa capacidade de suportar dificuldades

Existe ainda outro benefício em cultivar a paciência.

Quanto mais desenvolvemos a paciência, mais capazes nos tornamos de suportar situações difíceis.

Aquilo que inicialmente parece insuportável pode, com o tempo, se tornar suportável.

Pense em qualquer coisa que você já tenha aprendido a fazer.

No começo era difícil, mas depois ficou um pouco mais fácil e você acabou se acostumando.

A mente também pode ser treinada para agir desta maneira com situações adversas.

Quanto mais praticamos a capacidade de permanecer tranquilos diante de situações desagradáveis, mais preparados ficamos para enfrentar novas dificuldades.

É por isso que a paciência não deve ser confundida com fraqueza.

Uma pessoa paciente não é necessariamente uma pessoa que suporta tudo porque não consegue reagir.

Pode ser justamente o contrário.

Pode ser alguém que desenvolveu força suficiente para não reagir impulsivamente.

Quem está realmente no controle?

Talvez essa seja a pergunta que deveríamos nos fazer sempre que a impaciência resolve nos visitar.

Imagine que alguém te provoque, grite contigo ou te agrida verbalmente e, como reação imediata, você explode vociferando em algo como:

“Eu não levo desaforo para casa!”

“Essa pessoa precisa aprender a me respeitar!”

“Eu não vou deixar que ninguém fale comigo desse jeito!”

Mas veja que interessante…

Nessa hora, quem está realmente no controle?

Você ou a pessoa que provocou uma reação em ti?

A resposta é: nenhum dos dois.

É a sua mente que está te controlando.

A pessoa que te agride só está obedecendo a um impulso automático que apareceu na mente dela – do mesmo modo que a raiva apareceu na sua.

É por isso que compreender como nossa mente funciona é tão importante, para que saibamos o que está acontecendo e como devemos responder.

Isso é sinal de força – e talvez uma forma de sabedoria muito mais sofisticada que a retaliação.

Paciência não significa passividade

Esse ponto costuma gerar confusão.

Praticar paciência não significa aceitar passivamente qualquer coisa que alguém faça.

Se existe uma situação que precisa ser corrigida, nós devemos corrigi-la.

Se alguém está cometendo uma injustiça, nós podemos agir.

E se precisamos colocar um limite, podemos colocar.

A questão é… precisamos fazer tudo isso dominados pela raiva?

É claro que não.

Podemos agir com firmeza sem odiar.

Discordar sem querer destruir.

E dizer “não” sem sentir raiva e transformar o outro em nosso inimigo.

A paciência nos dá esse espaço entre aquilo que acontece e a maneira como escolhemos responder.

E nesse espaço existe a liberdade de agir com sabedoria e não sob o comando dos estados mentais negativos.

As palavras têm realmente tanto poder?

Os benefícios da paciência ficam ainda mais evidentes quando pensamos nas palavras.

Por que ficamos tão perturbados quando alguém nos despreza, nos critica ou nos humilha?

De fato, as palavras podem ser desagradáveis.

Mas elas não possuem, por si mesmas, o poder que muitas vezes atribuímos a elas.

Uma pessoa pode dizer:

“Você é incompetente.”

Outra pode dizer:

“Você é maravilhoso.”

Uma palavra nos deixa feliz.

A outra nos deixa irritado.

Mas o que aconteceu dentro da nossa mente para que algumas palavras tivessem tanto poder sobre nós?

O problema não está naquilo que foi dito, mas, sim, na importância que damos ao que foi dito.

Refletir sobre isso nos leva a uma compreensão mais profunda sobre a forma como nossa mente funciona: quanto mais dependemos da aprovação, do reconhecimento e da opinião dos outros, mais vulneráveis ficamos e quando as coisas não saem como desejamos, sofremos.

Porque sempre haverá alguém que não vai gostar da gente.

Sempre haverá alguém que discordará.

E sempre haverá alguém que vai nos criticar.

E se a nossa paz depender de sermos aprovados por todo mundo, estamos entregando aos outros uma responsabilidade que deveria ser só nossa.

A pessoa que testa a nossa paciência nos doa um grande tesouro

Agora chegamos a uma ideia que, para mim, é uma das mais interessantes.

Se ninguém nunca nos contrariasse, como desenvolveríamos a paciência?

É fácil ser paciente quando tudo está funcionando.

Quando todos concordam conosco, quando as pessoas fazem aquilo que esperamos, quando o trânsito está livre, o trabalho está tranquilo, nossos filhos estão comportados, quando ninguém nos provoca e quando temos dinheiro no bolso.

Nessas condições, podemos até imaginar que somos pessoas muito pacientes.

Mas aí surge algo ou alguém e, em cinco minutos, descobrimos que talvez nossa paciência não seja tão grande assim.

Isso pode ser frustrante, mas também pode ser uma oportunidade, porque a pessoa que mais testa nossa paciência pode ser justamente a pessoa que mais revela o quanto ainda precisamos desenvolvê-la.

Ela nos mostra onde ainda somos frágeis.

Onde ainda perdemos o controle.

E onde ainda permitimos que as circunstâncias externas determinem nosso estado interior.

E nesse sentido, uma pessoa difícil pode nos oferecer uma oportunidade que uma pessoa agradável jamais oferecerá: a oportunidade de olhar para dentro e analisar como é a nossa relação com nossos pensamentos.

A paciência abre espaço para a compaixão

Existe ainda uma consequência muito bonita ao cultivarmos a paciência que é desenvolver compreensão.

A compreensão nos permite perceber que as pessoas que estão constantemente irritadas também estão sofrendo.

Uma pessoa que agride, humilha ou trata os outros com raiva não está vivendo um estado de paz interior.

Ela está, na verdade, dominada por estados mentais negativos que ela não tem a menor ideia de como se livrar deles.

Essa compreensão abre um espaço em nossa mente para que surja a compaixão, permitindo que nossa postura em relação à outra pessoa seja diferente: em vez de sentir raiva e retaliar, sentir um desejo genuíno de ajudar.

Isso não significa aceitar comportamentos inadequados.

Significa compreender que podemos reprovar uma atitude sem precisar odiar quem a praticou.

Dessa maneira, conseguimos ver na outra pessoa, não um inimigo, mas uma pessoa que também está tentando lidar com a própria vida, com as próprias dificuldades e com a própria mente.

Como desenvolver paciência

Existem duas formas simples de você desenvolver paciência: uma é pensar na finitude das coisas e a outra é observar as limitações do nosso ‘eu’ autocentrado.

Acompanha meu raciocínio…

Tudo tem um fim.

A dor tem um fim.

As brigas têm um fim.

O engarrafamento tem um fim.

A situação desagradável no trabalho tem um fim.

A discussão com alguém tem um fim.

Até mesmo aquele problema que hoje parece gigantesco, algum dia, terá passado.

E, em última instância, a própria vida tem um fim.

Pode parecer uma ideia pesada, mas talvez seja justamente o contrário.

Quando lembramos que as situações são passageiras, elas começam a ocupar o tamanho que realmente têm.

Aquele trânsito que parecia o fim do mundo?

Vai passar.

Aquela discussão que parecia impossível de esquecer?

Vai passar.

Aquela pessoa que conseguiu tirar você do sério?

Também vai passar.

Tomar consciência do fim nos ajuda a diminuir o peso das situações e relativizar os problemas.

A segunda forma de desenvolver paciência é pensando nas falhas do nosso “eu” autocentrado.

De forma simples, todos nós sabemos que não teremos tudo o que desejamos nessa vida.

Isso é assim comigo, contigo e com qualquer ser humano.

Todos nós temos limitações, sofremos perdas e sabemos que um dia vamos morrer.

Então, quando começarmos a nos sentir impacientes e com raiva, devemos pensar que existem bilhões de seres humanos que estão na mesma situação, sofrendo como nós.

Isso tira o foco do “eu” que quer tudo para si e coloca o foco na dor da humanidade fazendo com que pensemos: “não está bom para mim, mas existe muita gente que também está enfrentando suas próprias dificuldades”.

É nessa hora que a impaciência dá lugar à compaixão e o “eu” sai de cena, acalmando seus pensamentos.

Então, paciência é fraqueza ou sabedoria?

Agora podemos voltar à pergunta do título.

Se entendermos paciência como simplesmente suportar qualquer coisa sem reagir, talvez ela possa realmente parecer fraqueza.

Mas não é disso que estamos falando.

Estamos falando da capacidade de permanecer com uma mente estável diante de condições adversas.

De perceber a raiva surgindo sem permitir que ela assuma o comando.

De avaliar uma situação e decidir o que precisa ser feito sem acrescentar ódio ao problema.

Compreender que nem tudo acontecerá como queremos.

Reconhecer que as outras pessoas também têm suas próprias dificuldades.

E, principalmente, de perceber que a verdadeira batalha não acontece do lado de fora.

Ela acontece unicamente dentro de nós.

Por isso, a pessoa verdadeiramente forte não é aquela que consegue intimidar os outros, levantar a voz ou responder imediatamente a qualquer provocação.

É aquela que consegue permanecer serena quando todos os motivos parecem justificar uma explosão.

A paciência não nos torna menores.

Ela nos dá espaço para escolher com sabedoria.

E quando conseguimos escolher, em vez de simplesmente reagir, alguma coisa muito importante começa a mudar.

Deixamos de ser escravos dos nossos estados mentais e começamos a assumir o comando da nossa própria mente.

Você pode ver o vídeo sobre este artigo aqui.


Andres Postigo
Andres Postigo

Andres Postigo é autor, palestrante e estrategista, dedicado a explorar a relação entre espiritualidade, propósito, desenvolvimento humano, liderança e realização profissional. Com décadas de experiência no mundo dos negócios e um profundo interesse pelo desenvolvimento da mente, traduz ensinamentos de sabedoria espiritual para uma linguagem prática e aplicável à vida cotidiana, ajudando pessoas a encontrar mais sentido, equilíbrio, clareza e paz interior em meio aos desafios da vida moderna.

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